Arquivos de etiquetas: assédio

PUTZ!

6 ago

eu sou homem: pelo solta sob o músculo

eu sou homem: pêlo grosso no nariz

(Caetano Veloso)

Ele entrou pela porta da frente, passou na roleta e sentou no último banco do ônibus, que estava vazio naquela hora. No ponto seguinte, o circular parou mais uma vez e, como estava com fone de ouvido, ocupado em ouvir o álbum novo da Venus Volts, o menino nem percebeu a movimentação. Entrou uma velhinha que ficou sentada lá na frente, mesmo. E também entrou uma menina loira, que resolveu sentar-se ao lado dele. O menino ficou um pouco incomodado: se o ônibus estava vazio porque a menina quis sentar-se ao seu lado? Enfim… Seguiu ouvindo o disco daquela banda que tanto gostava e tentava decifrar os códigos em inglês que ele não dominava muito bem, ainda. Ao seu lado, a menina parecia eufórica. Não conseguia ficar parada. Mexia na bolsa, fuçava no celular, olhava-se no espelho do pote de make up e abria e fechava os braços ao passar a mão no cabelo.

O rapaz começou a ficar irritado com aquilo. Ela parecia estar fazendo de propósito. Ele percebeu que a cada movimento, ela se aproximava um pouco mais dele, que já estava espremido contra a janela. Olhou para ela que, imediatamente, abriu-se num largo sorriso. Ele desviou o olhar fazendo que não tinha percebido. Putz! A menina o estava paquerando. E agora? Sentiu o corpo estremecer. Como sair dali se ela o estava bloqueando? Só se pulasse a janela. Olhava fixamente para o lado de fora do veículo procurando evitar encontrar os olhos dela.

A menina insistia. Ele estava muito nervoso com a situação. Quando ela pôs a mão em sua perna e apertou sua coxa, ele levantou rispidamente e gritou com a menina. O cobrador, sem saber do que se tratava, correu para socorrê-la. Chamou o menino de cabra safado e o obrigou a descer do ônibus. A menina se derreteu nos braços do cobrador, fingindo-se assustada, enquanto o rapaz descia as escadas da porta traseira sem conseguir dizer uma palavra.

Já na rua, o menino lembrou que não tinha mais dinheiro na carteira e não poderia pagar a passagem de uma outra condução. Não se desesperou, no entanto. Aumentou o volume do walkman e resolveu ir a pé, afinal não era muito longe. Cinco ou seis quilômetros de caminhada e ele já estaria no bairro. Naquela hora as ruas estavam bem desertas e um tanto escuras. Mas isso não amedrontava o menino.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 136 other followers