ESTUPRO, MORTE E BARBÁRIE

9 jan

O Campo Grande acorda chocado.

“Suspeito de ser estuprador é linchado por moradores. No entanto, a mulher que teria sofrido o ataque, não reconheceu a vítima morta”

Devido ao descaso da polícia e do Estado para com nossa região, os moradores resolveram se organizar sozinhos contra a onda de estupros. E tudo aconteceu da pior maneira possível pois, mesmo se o cara morto for mesmo o estuprador assassino, sua morte não encerra o problema do machismo e da violência contra a mulher. As mulheres, no protesto que fizeram, pediam poda do mato e iluminação pública para maior segurança. Os problemas viram uma bola de neve e as consequências são tão nefastas como suas causas.

Triste.

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CRIOLO CONTRA A HOMOFOBIA

6 dez

GARDÊNIA, TRAVESTI ASSASSINADA EM CAMPINAS

5 dez

MAIS UMA VIDA SACRIFICADA EM NOME DA HOMOFOBIA, MAIS UM GRITO PELA NECESSIDADE DA APROVAÇÃO IMEDIATA DO PLC 122  

(o texto foi originalmente escrito por mim, em nome da secretaria LGBT do PSTU Campinas para o site do partido. A versão que publico aqui no blog está modificada, já que o texto para o site ainda não tinha a informação do nome da travesti assassinada: Gardênia)

A noite que abre a oportunidade para que as pessoas discriminadas sintam-se à vontade para sair à rua como são é a mesma noite que ajuda a esconder preconceituosos e assassinos. Foi na calada da noite de sábado (26/novembro/2011) que Gardênia foi assassinadaem Campinas. Nasimediações do Botafogo, ela foi encontrada morta usando uma blusinha azul e com a calcinha abaixada. Tinha em seu corpo marcas deixadas por golpes de bloco de cimento. Segundo informações dos jornais da cidade, a vítima levava consigo receitas médicas em nome de Cláudio Lúcio Miranda de Almeida e era portadora do vírus HIV. Os jornais também conversaram com uma moradora das imediações que disse conhecer a travesti. Bernadete Barbosa de Couto, dona de uma pensão, contou que teria encontrado com ela na noite do crime, quando a vítima teria buscado abrigo em sua casa. Bernadete disse que ela estava embriagada e drogada (por esse motivo não lhe concedeu abrigo) e acompanhada por um jovem garoto – que chegou a lhe perguntar se Gardênia era mesmo mulher, ao que Bernadete respondeu se tratar de uma travesti. Os policiais que atenderam a ocorrência não descartam a possibilidade de crime homofóbico, mas afirmaram que o caso será investigado pelo setor de homicídios da polícia.

Em 2010 o assassinato da travesti Camile Gerin, a Cotonete, chocou Campinas. Ela foi morta a pauladas por Roberto Rubens de Macedo, encontrado pela polícia logo após a agressão, preso, mas liberado logo em seguida (Camile não morreu no mesmo momento, tendo ficado internada no hospital Mario Gatti, onde faleceu). O assassino disse ter agredido Cotonete para se defender, já que esta teria se mostrado agressiva quando ele recusou seu convite para um encontro íntimo.

No Brasil, país recordista mundial de assassinato de LGBTs, sabe-se que pelo menos um não-heterossexual morre a cada 36h. E a homofobia não é crime no país. O Projeto de Lei Complementar número 122 (PLC 122), que implica na criminalização da homofobia, está desde 2006 esperando aprovação no Congresso Nacional. Embora discursem contra a homofobia, os governantes não tem movido uma palha para construir políticas que combatam a violência homofóbica. Lula poderia ter cobrado do parlamento a aprovação do PLC 122, mas o que fez foi colocar no papel um projeto (“Brasil Sem Homofobia”) que nunca foi aplicado na realidade. Dilma, continuadora do governo Lula, antes de iniciar o seu mandato assinou um compromisso com os setores mais conservadores da sociedade em que defendia a “família” e prometia não alongar a polêmica que havia sido levantada durante a campanha eleitoral sobre o aborto ou a união civil entre homossexuais. Com isso, Dilma já mostrou que além de não defender os direitos dos homossexuais prefere estar do lado daqueles que ajudam a propagar a ideologia homofóbica que tanto vem matando no país em que hoje ela é presidenta.

Quem mais sofre com a homofobia são os LGBTs mais pobres, que não tem como pagar pelos caríssimos guetos onde se pode vivenciar sua sexualidade sem riscos. Gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais pobres são obrigados a enfrentar cotidianamente a violência homofóbica nas ruas das grandes cidades. Entre 2006 e 2009 os casos de denúncia de agressões físicas contra não-heterossexuais revelam que 20% são em casa, 2% no trabalho e 78% no espaço público, ou seja, é na rua que a população LGBT está mais ameaçada. E, de todas as letrinhas da sigla adotada pelo movimento, os grupos mais atingidos são os que estão sobre a representação dos Ts, as travestis e as transexuais, vitimas mais freqüentes de agressões e assassinatos por motivação discriminatória.

Sabemos que o problema da homofobia não se resolve com a aplicação do PLC 122: é necessário realizar uma transformação de toda a sociedade em suas bases materiais – econômicas – para que desapareçam as bases que fabricam as opressões. Só o socialismo será capaz de acabar com a exploração do trabalho e, com isso, exterminar as ideologias que oprimem grupos por causa de seu gênero, etnia ou orientação sexual. No entanto, a aprovação da lei que criminaliza a homofobia é um avanço no sentido de manter os não-heterossexuais vivos para continuar lutando pela nova sociedade.

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VISIBILIDADE LÉSBICA

29 ago

29 de agosto – Visibilidade Lésbica: Lutar contra o machismo e a homofobia

(Texto do Movimento Mulheres em Luta publicado originalmente aqui)
 

O dia da visibilidade lésbica surgiu como parte da luta contra a homofobia e contra o machismo, uma combinação de opressões explosiva que proporciona para as mulheres lésbicas ou bissexuais situações constrangedoras de assédio e humilhação.

Apesar de a luta contra o machismo e a homofobia serem de todos os dias, o dia 29 de agosto marca as batalhas que são necessárias de serem dadas nesse sentido. Muitas mulheres homossexuais ou bissexuais sofrem com a enorme ocorrência de estupros corretivos.

Os estupros visam mudar a orientação sexual de mulheres que gostam de se relacionar com outras mulheres. Em Julho deste ano, o mundo olhou para a onda de estupros desse caráter que ocorreu na África do Sul. Os dados foram alarmantes: mais de 10 lésbicas vem sendo estupradas por semana, em estupros coletivos ou individuais e isso só na Cidade do Cabo, capital do país.

Esses casos são a expressão mais violenta de aonde pode chegar o ódio homofóbico e a violência machista. Para quem pensa que isso se localiza apenas na África do Sul, uma recente reportagem (“Gays são caçados nas favelas do Rio pelo tráfico e pela milícia”, escrita pelo jornalista Mahomed Saigg para o “O Dia”, do Rio de Janeiro, no dia 5 de julho) denunciou a situação da população LGBT nas comunidades mais pobres do Rio de Janeiro.

Uma ex-moradora que havia se mudado para o Morro da Providência para viver com sua namorada decidiu sair do local porque os bandidos ameaçavam estuprar as lésbicas. “Fazem um terror psicológico insuportável (…), dizem que a garota só se tornou homossexual porque não conheceu homens de verdade. E que darão ‘um jeito’.” A reportagem revelou outro caso, como o de Jucyara que chegou a ser espancada por dois homens.

A ideologia machista e homofóbica, muito aproveitada pelo capitalismo para explorar mais e para impor padrões de comportamento, colocam para as mulheres duas alternativas: uma é repressão da sexualidade das mulheres que as obriga a buscar um único e encantado homem a quem a mulher irá pertencer para o resto da vida. A outra alternativa é o tratamento das mulheres como pedaços de carne que devem servir aos prazeres sexuais dos homens.

As mulheres lésbicas, por romperem com essas vias que a ideologia machista e homofóbica impõe acabam por sofrer com suas vidas e com muito sofrimento essas conseqüências. Acreditamos que para essa ideologia acabar, precisamos atacar o sistema político, econômico, social e cultural que a perpetua: o capitalismo.

Como parte dessa luta, defendemos a ampliação dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Acreditamos que a vitória conquistada com a aprovação para uniões estáveis homoafetivas deve se estender, ou seja, todos os direitos que são concedidos aos casais heterossexuais devem ser concedidos aos casais homossexuais. Acreditamos, assim, que o recuo de Dilma Roussef em relação aos kit’s anti-homofobia contribuíram para a perpetuação de ideologias que promovem a morte e o sofrimento de milhares de pessoas da comunidade LGBT no Brasil.

Se a homofobia fosse tratada como crime, como prevê o PLC 122, esses casos de estupros e de agressão teriam menos recorrência e o sofrimento de muitas mulheres estaria amenizado. Por isso, acreditamos que é fundamental que este projeto de lei seja aprovado em sua versão original e recusamos as negociações e alterações feitas como fruto de concessões à bancada evangélica.

Acreditamos que a luta da mulher lésbica é uma luta de toda a comunidade LGBT e de todos os setores oprimidos, junto com o conjunto da classe trabalhadora.

Pelo fim da violência machista e homofóbica!

Pela aprovação imediata do PLC 122!

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TOLICES

22 ago

São tolices que penso sobre você. Você não pensa em mim por que andamos na mesma rua? Vivo sonhando, imaginando você. Imagino pegadas e as vou seguindo (Edgard Scandurra)

Minha tia chegou em casa e perguntou se eu estava namorando. Quer saber quando é que eu vou casar, afinal, meus primos todos já estão grávidos. Como pode um menino tão fofo ainda não ter namorada? Já está na idade, já. Esses jovens de hoje, viu? Ela perguntou se eu não ia cortar o cabelo. Eu disse: “não, tia, não vou”. Não quero casar com menina nenhuma, vontade de mandar pro inferno. Esse papo de casamento, esse papo de gravidez. Esse papo.

Lembro-me daquela vez que escrevi uma cartinha de amor pra Gisele. Todo mundo escrevia cartinha de amor pra Gisele, menos eu, então tive que escrever uma. Ficou linda. Mas depois nunca mais eu consegui olhar pra cara da Gi. Tive vergonha. Passou um tempo, conheci a Manu. E contei pra todo mundo que eu estava namorando a Manoela. Mas eu ainda não tinha contado isso pra ela, coitada, nem sabia que namorava comigo. Era linda, a Manu. Não sei se ela soube que um dia já foi minha namorada.

Eu era um tanto confuso. Ora insistia em dar flores para as meninas da escola, ora tinha medo delas (elas eram sensíveis demais e pareciam saber mais de mim que eu mesmo). Gostava de ouvir Legião e Pato Fu, não jogava futebol. Não era fácil entender muito bem o que se passava. Alguma coisa me dizia que eu era uma aberração pecaminosa e doente. Não entendia muito bem de onde vinha aquela voz na minha mente: “VOCÊ NÃO PODE, VOCÊ NÃO PODE”. Não posso o quê?

Na adolescência é sempre difícil entregar aquele bilhetinho de amor. A aproximação para o primeiro beijo não acontece sem muita tensão, ansiedade e nervosismo. A primeira relação sexual é um desastre: onde, quando, como? A insistência em realizar essas experiências no mesmo tempo de meus amigos me ajudou a entender o que se passava aqui dentro. E a partir daí as coisas começaram a ficar ainda mais difíceis. Todos os meus amigos tinham dificuldade em entregar o bilhetinho para a pessoa amada. Eu tinha mais dificuldade ainda. Porque o bilhete deles era normal. O meu era torto. O primeiro beijo do Tiago com a Ruth foi cheio de mistério, ele ficou um dia sem comer. Disse que seu coração batia acelerado. O meu primeiro beijo nunca acontecia. Tentei com Vanessa, com Michele e com Pâmela. Meu coração, como o de Tiago, também batia acelerado, mas o beijo não aconteceu. Sexo? O que era isso, mesmo?

O gigantesco SUPEREGO (que alguns chamam Deus, outros chamam consciência e um povo aí resolveu nomear homofobia internalizada) nos impede de entender aqueles sentimentos totalmente fora da norma que vêm a tona no tempo mais controverso da vida. Comecei a perceber que aqueles sentimentos que meus amigos tinham pelas meninas eu tinha por alguns deles. Meu coração acelerava quando eu ia falar com o Tiago. Meu pênis ficava ereto diante do Wellington. Coração bobo, pinto levado. Estava tudo errado.

Demorou muito para que eu pudesse entender as ideologias que constroem os padrões para o que será considerado certo ou errado. Para ninguém amar era proibido. Por que para mim seria? Talvez porque fosse perigoso, afinal eu era uma aberração. Mais adiante descobri que existem lugares para que as aberrações possam se encontrar sem medo. Os guetos, verdadeiros campos de refugiados (caríssimos) onde as pessoas podem se mostrar como são. Ali uma aberração entende a outra. E mesmo ali o grande SUPEREGO nos acompanha. É preciso beber um pouco pra começar a ter coragem. É preciso beber mais um pouco pra ir pra pista de dança e mais um pouco pra conseguir tocar na outra aberração. Acontece o flerte fatal e, no final, em meio a um estranho constrangimento, cada aberração pega o seu barco e volta pro ninho.

Dizem por aí que o SUPEREGO é a parte do juízo solúvel em álcool. E o álcool, por sua vez, é uma espécie de suco de frutas Gummi, ou aquele espinafre do marinheiro Popeye. A bebida alcoólica (dentre outras drogas) é um instrumento muito utilizado pelos homossexuais seres humanos para poderem se livrar da culpa, do medo ou da vergonha. E isso pode gerar problemas como: “nossa, como era mesmo o rosto daquela pessoa que eu beijei ontem?” ou “ai, esqueci de pôr a camisinha”, quando não causa dependência. Muitas aberrações só se mostram aberrações na balada. Durante o dia permanecem disfarçadas, como um mutante com medo de ter os seus poderes descobertos. E isso impede, por exemplo, a construção de relações mais profundas. O amor acontece por uma noite apenas, já que ninguém pode descobrir quem eu sou.

É verdade que do lado de fora as coisas não são tão fáceis assim. Dar a cara a tapa é uma atitude de muita coragem e estar fora do armário traz consequências definitivas para a vida dos homossexuais (às vezes consequências bastante dolorosas, outras vezes agradáveis, mas sempre marcantes). O maior benefício de ser uma aberração assumida é o fato de poder lutar por direitos e tomar partido na construção de uma sociedade diferente. Não é possível para os homossexuais seres humanos encontrar a felicidade na sociedade em que vivemos hoje, especialmente para os mais pobres. As revoluções que proclamavam liberdade, igualdade e fraternidade limitaram-se a melhorar a vida de uns poucos. Cadê a minha fatia do filé?

Já é hora de nos libertarmos de todas as correntes que nos impedem de sermos nós mesmos. Tem gente que acredita no fim do mundo, mas não acha que é possível transformar essa sociedade machista, racista e homofóbica. Eu acredito que é possível e, para me livrar do gigante SUPEREGO, tornei-me militante e estou disposto a enfrentar o que for necessário, como um verdadeiro guerreiro, para que haja um mundo novo em que eu não precise disfarçar o meu rebolado. Usarei meus poderes de aberração mutante para acabar com a exploração que nos extorque toda a riqueza que produzimos e para construir o socialismo – que acredito ser a única forma de, hoje, darmos um basta ao que nos impede de sermos felizes. Pós modernos que me desculpem, mas estou com Malcom X e não abro: Não há capitalismo sem homofobia.

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MEDO DE QUÊ?

22 ago

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# DIA DO HOMOFÓBICO ENRUSTIDO (ORGULHO HÉTERO É O C@#$*+§!)

5 ago

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#DIADOHOMEM

15 jul

Essa história de Dia do Homem é uma besteira sem tamanho, né? Mas a gente aproveita a deixa pra refletir. É que dizem por aí que homem não chora, coça o saco, não usa rosa e gosta de futebol. Ah, se foder, que isso já está bem demodê. Eu estava na boate e tocou Vale Tudo do Tim Maia “Só não pode dançar homem com homem, nem mulher com mulher”. Brochei. No mesmo dia, alguns amigos ocós estavam me contando sobre a experiência do fio terra. Fofos! A masculinidade é uma construção social, todo mundo lembra da Simone de Beauvoir. Em seu livro “O Segundo Sexo” a francesa publicou a famosa frase “ninguém nasce mulher; torna-se mulher”. A sua vó falava que homem com homem dá lobisomem, não falava?  Pois, meu bem, já pensou se sua avó estivesse enganada? Milton Nascimento, diva da MPB, cantou: “Toda maneira de amor vale a pena”. Essa eu não ouvi na boate, mas toca aqui na minha vitrola de vez em quando. A música aí de baixo, sim, toca na boate. Os meninos ucranianos do Kazaky surpreendem e nos ajudam nessa discussão. Beijo!

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